I’m gonna vent, so brace yourselves.
Estou desempregado há sete meses, e nesse meio tempo ando enviando currículos e aplicando a vagas online. Sempre busquei vagas em sites que as ofereciam gratuitamente e segui num ritmo de mais ou menos 5 currículos enviados/vagas aplicadas por semana. A partir de setembro, comecei a aumentar essa taxa de envio/aplicação, simplesmente pelo acúmulo do cansaço de não ter tido nenhum resultado até então.
Quando chegou o fim de outubro eu já estava puxando os cabelos. A sensação de impotência por estar tanto tempo desempregado é enorme. Mesmo que eu ainda curse (meio que nas coxas) uma faculdade, ficar sem emprego é algo muito impactante. Principalmente quando se tem consciência de que se aplicou a centenas de vagas, sem exagero algum.
Deixo um agravante, para a minha situação psicológica, dessas centenas de vagas aplicadas, eu só recebi dois feedbacks: uma ligação de uma empresa oferecendo uma vaga que mais soava como um insulto e também uma entrevista. Entrevista essa que foi para estágio (sendo que tenho 3 anos de mercado como efetivo). Sendo que nessa entrevista eu só tinha um concorrente. Sendo que eu perdi a vaga para o concorrente.
Voltando à busca por emprego, eu cansei de enviar currículos e garimpar vagas em sites gratuitos. Resolvi assinar os sites pagos. Assinei, então Ceviu e Catho, de uma vez. Um dia depois de assinar a Catho, recebi duas ligações de funcionárias de RH. Uma de uma empresa, que ainda viria a me mandar e-mail pedindo o meu currículo atualizado, e outra de uma empresa que marcou uma reunião logo no dia seguinte.
A minha felicidade foi enorme. Eu saí do poço em que estava me sentindo o pior candidato do mundo e fiquei plenamente feliz por já conseguir uma reunião (que pensava ser uma entrevista) com a tal empresa, logo depois de assinar a Catho. Pensei que, realmente, não era um candidato ruim, só não estava sendo notado, e ter pago a Catho valeu totalmente a pena por isso!
Pois bem, acordo hoje às 6h para fazer barba, me arrumar, ficar impecável para a entrevista. Currículo em mãos, vou à empresa. Trigésimo andar, wow, nunca estive em um andar tão alto. Tudo me encanta na minha ida.
Chego à empresa, sou levado a uma salinha e uma menina de seus vinte e poucos anos começa a explicar sobre a empresa, e sobre a sua proposta. E aí a minha felicidade começa a diminuir. E diminuir. E diminuir.
Não se tratava de uma entrevista. Quiça uma reunião sobre alguma vaga propriamente dita. A empresa em questão, a RH Group, oferece serviços para ajudarem o profissional a se realocar no mercado, sendo eles confecção de currículo (+ carta de apresentação), jobhunting, informativo diário de vagas e coaching (entrevista simulada). O pacote inteiro pela bagatela de 6x 200,00 no cartão de crédito.
Fiquei tão feliz. Não.
Dei uma desculpa esfarrapada para a mulher e saí. Assim que cheguei ao corredor do prédio, peguei o celular e pesquisei pela empresa no google e não me foi surpresa ver que logo o segundo resultado era do Reclame Aqui. Ora, eu já desconfiei quando a funcionária ficou repetindo diversas vezes o quão bom é ser realocado para uma Multinacional e que quão essencial era ter um plano de carreira, desconfiei quando ela disse que eu devia dar a resposta imediata ou perderia a oportunidade de ter o contrato (de seis meses) com a RH Group e desconfiei mais ainda ao vê-la desesperada por eu me recusar a aceitar a proposta na hora e pedir alguma forma de contato direto para dar a resposta posteriormente.
Acabou-se a auto-estima pós-ligação do dia anterior. Volta pro fundo do poço, moleque.
Agora, a minha reclamação: como uma empresa, formada por profissionais, adultos, aparentemente sérios, tem a coragem de cobrar R$1200 reais por uma promessa de realocação no mercado? Como têm a pachorra de convidar para uma reunião sobre emprego sem avisar que na verdade não envolve nenhuma oportunidade? E, por fim, como têm a falta de escrúpulos de encher de esperanças tantas pessoas tão necessitadas de emprego e ainda tentar extrair uma grana com essas esperanças?
Pois se fossem sérios, prometeriam tentar realocar os desempregados e cobrariam (pois entendo que uma empresa precisa de dinheiro para se manter) baseando-se apenas no sucesso da realocação prometida. Se o cliente foi realocado, cobra alguma porcentagem do valor do primeiro salário. Seria muito mais razoável e de boa fé.
Enfim, infelizmente existem aproveitadores de toda sorte. Quanto mais frágil for a vítima, pior é o aproveitador. E tá aí mais uma experiência de vida pra mim.
Para completar o título do post: eu só quero trabalhar, é pedir muito?
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